O Pajé e a Mãe Terra
- Celia Caruso
- 25 de jan.
- 5 min de leitura

Um pajé, à beira da morte, transmite suas orientações finais à tribo e, em particular, chama uma mulher para uma conversa reservada e profunda. Dias depois, essa mulher se deita com um guerreiro escolhido, engravida e parte, sumindo sem deixar rastros. Durante dez anos, cria o filho sob o nome simbólico de "Mãe Terra", ensinando-lhe os mistérios da natureza, da vida, da liderança e da espiritualidade.
Ao completar o ciclo determinado, ela o deixa num local escondido, enterrado simbolicamente no barro — como se tivesse nascido da terra — e parte. O menino é encontrado por guerreiros e cresce entre eles, tornando-se um grande pajé, amado por sua justiça e sabedoria.
Contudo, mesmo sendo um líder justo, vive com um vazio interno: a sensação de abandono e a lembrança vaga de uma figura materna que o marcou profundamente. Vida após vida, essa sensação o persegue, sem nome, sem origem, mas intensamente real. Agora, ele precisa curar essa dor antiga, impregnada em seu DNA, para, finalmente, viver em paz.
Conexão com a Bíblia
1. A preparação de um escolhido
Jeremias 1:5 – "Antes que te formasse no ventre, te conheci, e antes que saísse da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta."
Êxodo 2:3-10 – Moisés é colocado no cesto e entregue ao rio, como forma de salvação e entrega ao seu destino.
2. Missão com sacrifício afetivo
Mateus 10:39 – "Quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á."
Lucas 2:35 – "...e uma espada traspassará a tua própria alma..."
3. Vazio interior e busca por sentido
Salmos 42:1-2 – "Como o cervo anseia por águas correntes, assim minha alma anseia por ti, ó Deus."
Eclesiastes 3:11 – "Deus colocou a eternidade no coração do homem..."
4. Cura através do reencontro interno
2 Coríntios 5:17 – "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é..."
Salmos 147:3 – "Sara os quebra
Teoria da Razão
Você já se perguntou quem guarda as chaves e os portões do seu mundo interno? Pois bem, esse papel cabe ao Príncipe. E não pense que é só glamour e espadas reluzentes. O Trono do Príncipe é, na verdade, uma das cadeiras mais tensas e estratégicas do Sistema.
Ele é o Guardião. Sim, com G maiúsculo. Internamente, tem que garantir que cada Consciência esteja no seu devido lugar, sem dar uma de “invade-Trono-alheio”. Externamente, ele segura a linha de frente: ninguém entra, ninguém bagunça. Se um perigo ronda o Sistema, quem pula primeiro para o combate? Ele mesmo, capa voando ao vento e tudo.
Mas não se engane com esse ar de cavaleiro honrado. O Príncipe carrega suas próprias lutas internas. Para crescer e subir na hierarquia do Sistema, ele precisa vencer suas desvirtudes no campo da ação. Nada de só pensar bonito: tem que “fazer”. E quando consegue? Ah, ele é promovido para a “Corte da Rainha”. Um upgrade e tanto.
Mas, veja só, os Príncipes geralmente têm um estilo... peculiar. Gostam de guerra. Sim, mesmo quando não tem. Gostam de admirar uma única pessoa com tanta intensidade que, se forem rejeitados, podem passar anos remoendo a mágoa. E não dá para culpar ninguém por isso, viu? Foi o próprio Príncipe que colocou toda sua energia num único ponto de afeto.
Tem mais: esses Príncipes têm um certo apego ao passado. Aquela música que tocava num verão feliz em 2009? Ele quer ouvir de novo e de novo. Aquele cheiro de bolo que lembrava a infância? Tem que repetir. Só que a vida não é reprise de episódio antigo. E quando o presente não se encaixa no roteiro nostálgico dele, pronto: drama à vista.
E as mudanças? Para ele, são quase tragédias gregas. Mudar é como destruir o castelo cuidadosamente decorado com memórias e velhos rituais. Só que, adivinha? A vida muda. Os cenários giram. E o Príncipe que não dança essa música do tempo acaba parado, em replay eterno de um passado que já não existe mais.
Mas antes de sair por aí montado em cavalo branco, ele precisa fazer algo muito mais difícil: guardar a si mesmo. Sim, o primeiro templo que ele deve proteger é o próprio ser. Parece simples, mas exige coragem. Exige autenticidade. Só quem se conhece de verdade pode dizer que está pronto para cuidar de algo maior.
A segunda missão do Príncipe é encontrar sua fé. Não aquela emprestada de alguém ou decorada por conveniência, mas a que pulsa verdadeiramente dentro dele. E atenção: essa fé não pode vir antes da própria proteção. Senão, o Príncipe corre o risco de esperar que o Criador venha resolver o que ele mesmo deveria enfrentar. A fé, nesse caso, é a bússola, não o escudo.
Depois de se proteger e firmar sua fé, o Príncipe está pronto para defender o que é certo — tanto em si quanto nos outros. Ele se torna guardião das bandeiras internas e externas. Um exemplo? Se a Rainha do Sistema estiver prestes a fazer um pacto que vai contra os princípios, é o Príncipe quem deve levantar a mão e dizer: “Aqui, não.” Sua guarda vem antes das alianças. Se ele cai, o Sistema se abre — e o Banco do Povo entra. Pode ser um caos. Outro ponto? Maturidade. O Príncipe precisa crescer. Não dá para continuar preso a lembranças doces do passado como se fossem filmes que ele pode rebobinar. A saudade, nesse caso, é um veneno disfarçado de conforto. Ele precisa sair do script, deixar os roteiros e viver o agora. Agir não é tarefa sua, isso é com a Rainha. Se ele estiver no palco da ação, algo está fora do lugar.
E por fim, o mais importante: submeter-se à evolução. Isso significa reconhecer que o Criador tem um plano, sim, mas que cabe a cada um consertar o que há de torto por dentro antes de pedir socorro. Só quando o Príncipe tiver atravessado todos esses desafios poderá entrar, com honra, na “oficina do conserto”. Lá, ele não será mais um guerreiro do passado, mas um guardião pronto para o futuro.
Moisés foi abandonado numa cesta e entregue ao rio como uma forma de seguir seu destino. Da mesma forma o nosso menino do conto, também foi enterrado no barro para sua salvação no encontro de seu destino. Em ambos os casos, os meninos seguiram o que havia sido escrito para eles. A fé de suas mães foi determinante para chegar onde chegaram cumprindo suas missões.
E você, onde se encontra nessa maratona do viver?
Sua fé norteia seu caminho? Você a segue sem dúvidas? Ou permite, como o Pajé nascido da Terra, que seu coração doa sem motivo, movido por uma saudade sem nome, que o faz viver num vazio interno que o marca profundamente?
Moisés como guardião levou seu povo até as últimas consequências em sua missão.
Que possa o nosso pajé, como guardião que foi de sua tribo, hoje optar pelo caminho da sabedoria, submetendo-se à evolução e aos planos do Criador. Estando pronto, então, para o que vier no futuro, maduro o suficiente para guardar tanto as bandeiras internas quanto as externas, vivendo o agora com discernimento, coragem e autenticidade, já com sua Fé restaurada e munido de toda a sabedoria conquistada.




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