LEOPOLDO, O GENERAL EGOCÊNTRICO.
- Celia Caruso
- 25 de mar.
- 5 min de leitura

Numa noite chuvosa, entra em uma ruela, uma carruagem correndo e não vê um menino que estava atravessando a rua, machucando-o muito. Este passou muito tempo como um andarilho, pois não tinha família e não tinha como trabalhar, pois ainda sofria com os ferimentos daquela noite.
O tempo passou e aquele menino se curou e aprendeu tudo o que aparecia na sua frente, como uma oportunidade de mudar de vida: construía, usava a madeira, era ferreiro e lutava como um soldado, aguardando uma oportunidade para sair daquela situação. Aquele menino curou as feridas de seu corpo jovem, mas não as do seu coração. Sempre que se lembrava daquela noite era com ódio e culpando os nobres, por não se importarem com os pobres que passavam por dificuldades. A luta de Leopoldo consigo mesmo, foi grande!
Depois de treinar dia e noite com pessoas conhecidas e de ter ajuda para entender sobre as estratégias de guerra, Leopoldo conseguiu entrar para o exército Real! Foi tudo o que sempre quis! Determinado, cada vez mais alcançava posições de destaque, até chegar a general! Agora sim, estava próximo daqueles que tanto odiava! Tudo que era preciso fazer e que necessitasse de um mínimo de segurança, passava pelas mãos do general, que respondia diretamente ao rei e era somente ele que poria o carimbo de “permitido” ou “não concedido”.
Assim conseguiu acumular riquezas, mas não por suborno, ao contrário, ele era incorruptível, mas sim por merecimento: prêmios e presentes que eram muito bem recebidos. Com sua reputação, é muito bajulado e as aceita por querer se sentir amado. Mas nada é feito para o outro, unicamente para si próprio. Está rodeado por pessoas, “externamente.”
Em seu palácio ninguém entra: festas são dadas no exterior do palácio, pois não divide sua intimidade com ninguém. Ninguém o conhece de fato e sempre que pode, humilha aqueles nobres que continuam dependendo dele. Não se doa e nem se vende! Faz questão de demonstrar onde ele está agora e como chegou! Passa suas noites ou em festas sociais políticas ou sozinho!
E muitas vezes quando está sozinho caminhando dentro de sua própria casa, muito orgulhoso de si, pensa:“- Já alcancei tudo o que queria! Vivo muito bem, porém só! Sim, mas por minha escolha! Não quero compartilhar nada com ninguém! Depois que meus subordinados se vão, vago por esses corredores luxuosos cheio de orgulho! Entro em cada salão e me sinto glorioso! Consegui tudo o que queria, mas nem por isso precisei passar por cima de ninguém, apenas cumpri meu dever, colocando as pessoas em seus devidos lugares! Hoje desfruto da minha glória!"
Mas para onde irei agora? Estou cansado dessa solidão!”
“- Algumas vezes ouço uma voz dentro do meu coração que me diz:” "Leopoldo, por que age assim? Para que tanta solidão? Por que essa necessidade de demonstrar que você é capaz e de que conseguiu chegar ao topo? Por que não compartilhar toda essa glória com as pessoas necessitadas como você foi um dia e aceitar ser amado por sua bondade e capacidade? Por que não tentar retomar o caminho do amor, aquele caminho que você recebeu dos que cuidaram de você um dia e o curaram?”
Essa voz por muitas e muitas noites falou ao seu coração e lhe pedia para repensar esse caminho que ele estava seguindo, pois não iria assim, levá-lo a nenhum lugar, ao contrário, o levaria à solidão por não mais ter outro objetivo senão o de usufruir de sua glória, o que já o faz. Mas e o amanhã?
Compartilhar é o melhor caminho!“- Sim!” Ele pensou!“- Eu gostaria de encontrar alguém e construir uma família. Mas nunca me senti confortável com esse pensamento. Parece que não se encaixa nessa vida que levo, ora nas batalhas, ora na glória! Sendo bajulado o tempo todo por pessoas que eu não confio! Como irei compartilhar essa vida?”
Assim passou-se mais um ano e nada mudou na vida de Leopoldo, mas ele sempre ao acordar se lembrava das mensagens que recebia nas suas noites e algo estava mexendo com ele.
Numa certa manhã, já findado os seus compromissos, resolveu dar uma caminhada. Chamou um de seus guardas de confiança para acompanhá-lo. Acabou passando exatamente no lugar em que foi ferido e onde encontrou o consolo de ser acudido e criado por várias pessoas, ainda que na rua por serem todas pobres, comendo aqui ou ali, mas nunca passando fome ou frio, porque todos cuidavam de todos!
Ninguém o reconheceu, mas ele lembrou de cada canto que dormiu e de cada incentivo que recebeu daquelas pessoas simples.
Quando, andando mais um pouco, viu um jovem que caminhava com uma muleta, pois tinha uma perna atrofiada. Ele ficou observando-o com um grande aperto no coração, trazia-lhe recordações dolorosas. O rapaz entrou numa casa de confecção de móveis. Ele se aproximou discretamente e viu que ele trabalhava em uma pequena peça de madeira. Mas viu também que não haviam muitas ferramentas. Pediu ao seu guarda-costas que fosse pegar algumas informações sobre o rapaz e onde ele vivia.
Ele voltou dizendo que o rapaz nascera com a perninha doente e que foi abandonado ainda bebê naquela rua e que fora criado por todos dali, cada um cuidou um pouco. Agora já com dezesseis anos, trabalhava com o que permitisse que ele ficasse mais tempo sentado. Mas como o bairro todo era pobre, eles se sustentavam como era possível. Sempre todos se ajudando. Ele era muito amado, por ter um bom coração e por sempre tentar ajudar em qualquer coisa que precisassem dele. As crianças o seguiam por ser um bom contador de histórias. Seu nome era João, por ser Joana d’Arc daquela região. Leopoldo voltou com seu coração aos pulos, sem ter explicação para aquilo e sem saber o que fazer!
Alguns dias se passaram e ele voltou com o mesmo guarda, o qual pediu sigilo total sobre o passeio. Desta vez foram vestidos com vestimentas mais simples para não chamarem a atenção. Ele observava tudo, comprando uma coisinha aqui outra ali para disfarçar. Assim fez várias vezes pensando no que fazer para ajudar aquela gente.
Pensou que uma oficina profissionalizante talvez ajudasse. Procurou por um galpão ali próximo que pudesse servir para esse propósito. Depois, mais disfarçado ainda, procurou saber do que mais precisavam para melhorar o ganho deles.
Ferramentas para tecer, ferramentas para ajudar na marcenaria e para o ferreiro um lugar que pudesse ampliar o seu trabalho, pois trabalhava numa portinha bem pequena. O lugar encontrado servia para as três necessidades.
Arrumou, equipou, e contratou profissionais para ensinar os mais jovens o ofício escolhido. Tudo sem identificar-se. Mas com o tempo passou também a frequentar a oficina, ajudando naquilo que fosse preciso, já que sabia fazer um pouco de tudo. Nunca ninguém desconfiou de nada e ele poder dar continuidade a esse projeto por muito tempo. Acabou tendo a oportunidade de se aproximar de João e se tornaram grandes amigos. O bairro prosperou com as vendas e todos puderam viver melhor.
Leopoldo agora deitava sua cabeça no travesseiro e se sentia muito bem! Seu coração estava cheio de amor, por ter realmente construído uma família. Os anos se passaram e todos amavam muito aquele “tio” que estava presente em todas as ocasiões: fossem alegres ou tristes.
João se casou e seus filhinhos eram como seus netos.
Ao morrer deixou toda a sua herança para aquela comunidade, que finalmente pode conhecer seu benfeitor e também receber de todos muitas orações de agradecimentos!
9ª MÁSCARA: EGOCENTRICO (DESEJO DE SER NOTADO)
Essa é uma das 29 Máscaras do Orgulho encontrada na Teoria da Razão. Para saber mais acesse www.escoladesabedoria.com.




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