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BERNARDO, O INTERESSEIRO




Bernardo trabalhava numa gráfica bem-conceituada no estado de São Paulo.
Era uma unidade grande e responsável por muitos funcionários.
Bernardo era o que fazia as contratações de funcionários, manutenção, bônus e de mandá-los embora também.
Era ele quem julgava e sentenciava, ou seja, para melhorar com um aumento de salário, ou para ser despedido.
Fazia isso de acordo com seus próprios interesses: se alguém lhe poderia ser útil algum dia, os mantinha. Senão dispensava quando melhor lhe conviesse. Era frio e calculista nesse aspecto, sem se importar com os sentimentos do outro. Se alguém fosse questioná-lo sobre aquela decisão, explodia de forma tão agressiva que causava medo. Outras vezes, no entanto, falava manso, dependendo, como já disse, do seu interesse naquele assunto ou naquela pessoa.
Mas como é de se imaginar, ele vivia uma vida solitária. Não tinha amigos, pois todos eram passageiros para ele e por isso não criava laços, todos eram pessoas descartáveis. Assim sendo não tinha amor por ninguém.

 

Vamos conhecer agora a infância de Bernardo.
Ele era foi criado num orfanato muito bom, grande e onde tinha o maior índice de adoção da região. Eram bem alimentados e até educados de uma forma na qual poderiam ser apresentados para qualquer um, sem passar vergonha. Por isso as pessoas mais conceituadas iam procurá-los. Lógico que rolava uma  boa soma de dinheiro por trás. Então quem pagasse mais podia escolher a criança e passar na frente de outros que já estavam cadastrados e aguardando a sua vez.
Bem, agora chegou a vez de nosso Bernardo. Um casal muito rico, já havia ido algumas vezes ver os meninos, pois era um orfanato masculino e brincavam com um e outro. A vez era de Bernardo ser adotado, era o próximo da lista e estava muito ansioso. Tinha certeza de que aqueles seriam seus pais. Esperou alegremente a visita do casal que não aconteceu. Pensativo voltou e foi ler um pouco. No outro fim de semana, esperou o sábado todo. O domingo estava acabando e ele resolveu então perguntar para freira onde estava o casal Bianchini, que não havia aparecido mais.
Para sua surpresa e tristeza, o casal havia escolhido outra criança e não voltaria. Assim ele perdeu os pais que ele tanto queria, pois os considerava pessoas boas: atenciosos com todos, amorosos e brincalhões.“- Mas era a minha vez!” Gritou ele indignado! E fugiu! Passou sumido por três dias, quando um segurança do orfanato o encontrou e o levou de volta.
Nunca mais ele foi o mesmo!
Sentiu-se traído por aquelas pessoas e passou a desprezar a todos. Não era indisciplinado para não sofrer castigos, então dançava conforme a música, sempre mostrando um ser que não era ele, para se sair bem. Fingia o tempo todo!
Por ter fugido, voltou para o final da lista dos que seriam adotados. E por isso nunca chegou a sua vez! Mas como era disciplinado, não respondia e não desobedecia, ganhou alguns benefícios: como escolas melhores, cursos profissionalizantes etc.
Ao completar dezoito anos, saiu já empregado e com uma carta de recomendação. Conseguiu uma pensão para se instalar no começo, já paga pelo governo, por três meses, para assim poder se firmar no emprego.
Algum tempo depois conseguiu fazer uma faculdade de administração e escolher um bom emprego, o que citamos no início da nossa história.
Bernardo nunca perdoou o casal Bianchini, que não o escolheu e nem as freiras que o enganaram. Fazia o que preciso fosse para sobreviver: enganava, desrespeitava, passando por cima de todos. Agora, já empoderado é que realmente descarta as pessoas, já que só o desamor habita em seu ser. Sua consciência não o acusava de nada. Segue como um trator, e por ter um ódio exagerado, permite corroer seu ser. Nunca mais se aproximou  daquele orfanato!

Se pudesse esquecer e perdoar aquele passado, tudo seria diferente para ele. Poderia aproveitar essa nova vida luxuosa e compartilhar de momentos bons com outras pessoas. Mas prefere viver sozinho se corroendo por dentro e trocando sua caminhada evolutiva, pelo ódio.

Um dia estava atravessando uma avenida larga, quando ao final viu um menino agachado encostado numa parede e chorando muito. Pensou: “- Não é um menino de rua, já que está bem-vestido” Então ouviu uma voz, que lhe disse: “- Vá até ele!” Relutou, mas foi!
O menino chorava muito, pois estava perdido! Bernardo tentou consolá-lo, dizendo que iria ajudá-lo e que o levaria para casa. O menino estava hesitante, com medo, mas acabou lhe dando seu endereço e aceitando sua ajuda!
Qual não foi sua surpresa quando ouviu do menino o nome do orfanato em que viveu! Ao chegar, trêmulo entrou e foi até a diretora, já idosa, mas que o reconheceu na hora e lhe deu um abraço caloroso por vê-lo ali com a criança perdida.
Com aquele abraço, seu coração duro derreteu e um sorriso, a tanto tempo guardado, apareceu! Ele passeou pelos corredores tão esquecidos, segurando a mão do menino mensageiro do perdão!
Depois disso, o laço entre eles todos, se fortificou! Bernardo passou a frequentar aquele lugar, dedicando algumas horas de seu fim de semana para brincar, ler ou cantar com aqueles meninos. Era um portador de muitas alegrias para essas crianças. Por causa deles, conseguiu perdoar aqueles que ele considerava seus traidores e por isso voltou a ter alegria e pode fazer laços verdadeiros com as pessoas ao seu redor.

 

 Essa é a 12ª MÁSCARA  INTERESSEIRA (que oculta uma pessoa traída e magoada)

Foi traída e, afogada em suas próprias mágoas, não perdoou o seu “caçador”. E cheia desse infinito ódio pelas pessoas, engana e desrespeita o outro para chegar ao objetivo de seu interesse. Na convivência explode e se beneficia com a dúvida do outro que não compreende sua bipolaridade, pois tem duas faces.  É uma atriz, fria e calculista que dirige o espetáculo e nele atua para realizar seu intento. Friamente mexe com os sentimentos sem se importar com ninguém, sempre com uma finalidade predeterminada por seu interesse. Vive uma vida solitária, seus relacionamentos são passageiros e não faz laços. Todos são descartáveis e sente desamor pelas pessoas.


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