Diego: o Omisso
- Celia Caruso
- 10 de jun.
- 4 min de leitura

Diego foi criado por sua mãe, que por sua vez perdera o marido cedo e era muito assustada com tudo! Se o menino queria ir à casa de um amigo, como ela não estaria presente, ela não deixava. Jogar bola na rua, não, porque podia se machucar e assim por diante. Por causa disso, seus colegas o chamavam de mariquinhas e ele sentia muito ódio, ou de filhinho da mamãe, que o deixava mais irado ainda. Passeio de turma da escola, ela só o deixava ir depois de conversar com a professora e saber de todos os detalhes.
Bem, assim foi a infância de Diego. Na adolescência, muitas vezes quis se rebelar com as atitudes da mãe, mas ficava com pena e engolia, para não a magoar. E passaram-se os anos. Sempre acovardado!
Quando Diego precisou escolher o que estudaria na faculdade, ou seja, qual a carreira que ele seguiria, foi uma grande dificuldade. Cada uma sua mãe colocava uma dificuldade: ora perigoso, como engenharia e veterinária, por causa dos animais grandes, ora não lucrativo. Foi uma dificuldade para ele escolher administração.
Bom, os anos se passaram e vamos conhecer um Diego muito inseguro. Sempre que havia a oportunidade de escolher uma conta de uma empresa grande para ele administrar, ele passava para um outro colega, com medo. Evitava a todo custo tomar grandes decisões para não ser julgado depois, caso desse algo errado.
Socialmente, não era muito chamado para sair, pois na maioria das vezes não aceitava, usando mil desculpas. Quando havia uma comemoração ou outra que não podia faltar, ele aparecia.
Encontrou uma moça simples e se apaixonaram. Ela diferentemente dele era super participativa, em tudo e muito decidida. Trabalhava num pequeno restaurante, mas seu objetivo era ser chef um dia: adorava cozinhar! Foi lá que se conheceram, pois até na hora de decidir o que comer, ele não conseguia e ela pacientemente lhe explicava qual o acompanhamento de cada prato e qual a melhor opção do dia. Começaram a namorar após alguns meses, lógico que por iniciativa dela.
Dois anos depois se casaram e eram felizes, desde que ele não precisasse decidir alguma coisa, dizia: “- Você entende disso melhor do que eu.” E fugia. Não assumia nada de jeito nenhum! Ela tinha muita paciência, mas em alguns momentos ela ficava muito irritava. Ele pegava todo o salário que recebia e passava para ela, que era a única responsável por gerir a casa e as finanças. É como se dissesse: “ Está tudo aqui, se vire, não tenho mais nenhuma responsabilidade.”
E ela se virava mesmo! Nada a impedia de encontrar o melhor preço e ter uma boa comida na mesa, se vestir bem e sair quando desse. Mas Diego não mudava, não reagia! Vivia à margem de tudo para não ter que decidir, não ter que lutar, nem para melhorar de vida.
Maria, que parecia ser a decisão em pessoa, começou a desanimar com as mesmices dele e nem cobrava mais atitudes diferentes! Diego percebia, mas não reagia e foram se distanciando um do outro. Mesmo sabendo que a culpa era dele, ele carregava uma grande tristeza no peito, pois sentia falta da liderança amorosa dela.
Uma noite dormindo ouviu uma voz que dizia: “- Você não vai reagir?”
“- Não vai lutar por seu casamento?”
“- Você já percebeu o quanto ela está infeliz por se sentir sobrecarregada?”
“- Por achar que você não lhe dá valor e por isso sente-se abandonada?”
“- É chegada a hora de você criar coragem, mudar seu pensamento e tomar decisões que possam melhorar sua vida financeira! É chegada a hora de você lutar pelo seu lar, pela mulher que você ama.
Diego acordou engasgado: “- Como vou fazer isso? Não posso!” Os dias foram passando e Diego continuava fugindo, mas agora já pensava: “ Eu podia ter agido diferente. Eu podia ter feito tal coisa e não ter só ficado olhando.”
Numa manhã numa reunião de divisão de contas que eles administravam, ele disse : “- Eu fico com essa!” Era uma conta grande, portanto desafiadora! Ficaram admirados com a atitude dele, mas o gerente comentou: “- Até que enfim!” Pois sabia que ele era capaz.
No dia que recebeu seu pagamento, agora com uma gratificação a mais, ele se aproximou de Maria e perguntou: “- Vamos fazer as compras juntos? Sei que você tem muitos afazeres e quero ajudar.” Maria sorriu aceitando sua ajuda e passaram a ir sempre juntos ao mercado. Quando ele voltava do trabalho passava na frutaria e já levava o que estavam precisando. Como ele chegava mais cedo do que ela, ia adiantando as tarefas do dia, menos cozinhar, que ela não permitia, “era a praia dela, dizia”, mas colocar a roupa para lavar e arrumar a casa, podia,” ela dizia sorrindo. E a alegria voltou àquele lar.
Diego deitado, lembrou-se daquela voz e disse: “- Muito obrigado! Venci meu medo.” E a voz lhe respondeu: “- Ore sempre que Ele te ouvirá!”
Aqui falamos sobre a 15ª MÁSCARA DO ORGULHO:
SER COVARDE/INDECISO/OMISSO
Assim com esta, existem ao todo 29 máscaras, para que você se conheça melhor. É um estudo profundo de Auto conhecimento. Você encontrará todas elas e muito mais, no Livro Teoria da Razão: da Criação do Universo ao Ser Humano Múltiplo.
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