Ana Clara, a tristonha
- Celia Caruso
- há 13 horas
- 12 min de leitura

Hoje vamos conhecer um pouco mais da história da Ana Clara.
Ela é uma garota de 16 anos que é muito fechada, não conversa com quase ninguém, não tem muitos amigos de verdade, não gosta de si mesma, nem de praticamente ninguém.
Mas por que Ana Clara é assim? Ela era uma criança linda e muito feliz. Brincava com os amiguinhos e com os pais. Amava ficar um tempo só curtindo o colo dos avós, assistindo desenhos animados ou filmes com eles e com seus pais.
Quando ela tinha apenas 6 anos, seu pai foi transferido de país, para ser o gerente de uma nova filial da empresa onde trabalhava.
Esse novo país tinha cultura e hábitos totalmente diferente dos nossos.
Ela ficou com muito medo e muito tímida na nova escola: a escola era muito maior e com muito mais alunos do que as que ela já havia frequentado. Tudo era muito diferente!
Além disso ela ficou longe dos seus avós. Ela tinha muita saudade... e a falta de seus pais, que estavam trabalhando bastante, sempre.
Quando Ana Clara já tinha vivido 1 ano naquele país diferente, finalmente chegou uma outra menina, também estrangeira, e ambas se identificaram na hora.
Ali nasceu uma grande e sincera amizade. Elas estudavam juntas, brincavam, passeavam com seus respectivos pais. As famílias também eram amigas entre si e eles chegaram a fazer viagens de férias juntos. Ana Clara estava muito feliz.
Ana Clara e Bia eram amigas inseparáveis. Compartilhavam tudo, a vida mesmo. Quando elas tinham 12 anos, já haviam se adaptado ao país estrangeiro e às pessoas, a classe de Ana Clara e Bia recebeu um aluno novo, também estrangeiro: Roger. Ele era muito bonito e legal, e como Ana Clara e Bia já haviam passado por aquela situação desconfortável, decidiram que iriam iniciar uma amizade com ele para acolhê-lo no novo lugar.
Chamaram Roger para lanchar com elas na hora do intervalo da escola. E lá floresceu uma nova amizade entre os três. Roger era muito inteligente, o melhor aluno da escola, ganhava todas as competições e prêmios científicos, e ajudava as meninas na hora dos estudos.
Eles também se divertiam juntos, jogavam videogame, passeavam e passaram a ter uma rotina juntos também.
Ana Clara e Bia estavam mais felizes, com a chegada de Roger.
As famílias dos três também se tornaram amigas, pois todos trabalhavam na mesma empresa. E apesar de trabalharem muito, nos finais de semana e feriados, todos se reuniam na casa de uma das três famílias para relaxarem, se divertirem, fazer churrasco juntos, ou para irem à igreja. Enfim, criaram uma amizade sincera e verdadeira entre eles e seus pais.
A partir de um determinado dia, Ana Clara observou que Bia estava diferente. Mais calada, mais fechada, se arrumando de maneira diferente do habitual. Passando mais maquiagem, arrumando mais o cabelo, colocando perfume até para ir na padaria comprar o pão do lanche.
Ana Clara perguntou: amiga, o que houve? Você está diferente...Mais calada...está doente?
Bia respondeu desviando o olhar: Não Ana, não é nada não. Só quis mesmo mudar um pouco o visual.
Neste momento Roger chegou perto das meninas e Bia levantou o olhar para ele e Roger para Bia e os olhos deles brilharam entre si.
Ana Clara percebeu esse brilho diferente no olhar que eles trocaram entre si e preferiu comentar mais tarde com sua amiga.
Com o passar dos dias Ana Clara e Bia continuavam sua rotina habitual, mas sempre que Roger chegava para estudar, passear ou conversar com as amigas, ficava um clima meio esquisito no ar, pois Bia e Roger mudavam de comportamento e isso estava intrigando Ana Clara. Um dia, após Roger se despedir das meninas e meio sem jeito dar um beijinho no rosto de ambas, Ana Clara falou para Bia:
- Bia não vai ainda, enquanto espera seu pai te buscar, entra aqui em casa, por favor que quero falar uma coisa com você. Bia baixou a cabeça e até disparou o seu coração. Ela sabia que não dava mais para postergar a noticia e teve que contar para a amiga que ela e Roger estavam gostando um do outro de um jeito diferente, mais do que simples amigos e que eles ficaram já algumas vezes, quando ela foi na casa dele estudar, sem que Ana estivesse presente e outro dia em que eles foram ao cinema juntos também.
Quando recebeu a noticia, apesar de já ter notado algo diferente, Ana Clara ficou chocada! Um misto de medo, de raiva e de sensação de perda tomou conta dela e imediatamente ela se jogou em sua cama, já chorando. Seu coração também estava acelerado e quando ela percebeu já estava falando, sem pensar: mas Bia por que você não me contou antes, por que não falou que estava sentindo por ele, porque você ficou diferente?
Vocês mentiram para mim, eu sempre fui verdadeira em tudo com você, e Roger praticamente acabou de chegar.
Gosto muito dele e fico feliz por vocês, mas não entendo o por que você não ter me contado o que estava sentindo por ele, antes mesmo de ficarem. ,E ficou lá chorando.
Bia ficou desesperada com a reação da amiga, chorou junto e ficou muito triste pois não sabia que Ana Clara ficaria dessa forma. Só não tinha contado antes por ter ficado envergonhada por que Roger era seu primeiro namorado e como não tinha experiência, não sabia nem o que falar para Ana. Bia esperava que a amiga fosse apoiá-la, ficar feliz por eles, continuar sendo amiga de todas as horas, dos dois!
Mas nesse dia algo se quebrou irreparavelmente dentro de Ana Clara, os dias se seguiram e Ana nunca mais foi a mesma pessoa, não só com Bia e Roger, mas com todos também.
Ana Clara a cada dia que se passava ficava cada vez mais fechada, não conversava, quase não se alegrava, foi-se afastando de Bia e Roger, não saia mais com eles, não estudavam mais juntos e na hora do intervalo na escola, quase sempre Ana ia para a biblioteca.
Bia tentou conversar com a amiga várias vezes, tentou levá-la para sair só as duas juntas, como nos velhos tempo, mas Ana Clara se alegra por alguns minutos e depois voltava a ser como antes: uma concha fechada.
Sempre quando os pais de Ana Clara ou outras pessoas perguntavam o que tinha acontecido Ana falava que Bia e Roger não gostavam mais dela, e que ninguém gostava dela, que a achavam feia, chata, que só estavam disfarçando, mas não queriam estar verdadeiramente na companhia dela.
Já no primeiro ano do Ensino Médio Ana Clara, Bia e Roger quase não se falavam. Era só aquele “bom dia”, e aquele “tchau” ao final da aula.
Bia e Roger continuaram o namoro e a amizade entre os dois se expandiu a outros da escola, do clube, da aula de inglês. E quanto mais Bia e Roger expandiam a amizade e o namoro, com relacionamentos saudáveis, mais Ana Clara se fechava no “seu mundo”.
E não tinha a mesma vontade de estudar, de brincar, de se divertir. Seus pais estavam muito preocupados com ela e sempre tentavam conversar, oferecer apoio, oferecer momentos agradáveis em família.
Ana Clara ficava bem alguns minutos, no máximo por um dia e no outro dia voltava a ser a concha, apática, indiferente...
Ana Clara também tinha reações muito ruins com as outras pessoas. Como queria se manter fechada “em seu mundo” destratava as pessoas, mesmo aquelas que amava. Era grossa, indiferente, tristonha. Não queria mais estudar como antes, ser a melhor aluna da sala de aula, a melhor da escola. Só queria saber de assistir TV, jogar videogame e brincar no celular.
Os seus pais foram chamados muitas vezes na escola para serem informados que o rendimento escolar de Ana Clara caiu muito, que já deixavam ela de castigo, sem celular, TV ou computador por diversas vezes ao mês.
Isso também piorava o comportamento agressivo ou indiferente de Ana Clara. Por que quando o castigo acabava e ela pegava de novo o celular, ela voltava continuava sendo a mesma concha fechada.
A essa altura Ana Clara já não tinha qualquer convívio com Bia e Roger, nem com ninguém. E muitas vezes ao mês ela acordava com febre, mal estar, vômitos, alergias que nenhum médico conseguia explicar ou tratar. Aí perdia muitos dias de aula até se recuperar e tomava muitos remédios.
Um dia Ana Clara resolveu ir para a escola de Bicicleta e no caminho de volta para casa um carro a atropelou. Foi um acidente muito feio, pois Ana bateu a cabeça com muita força na calçada, com um um corte muito grande. Imediatamente ficou inconsciente.
Já acordou no hospital, meio tonta, com muitas dores pelo corpo e muita dor na cabeça, no meio de vários médicos mexendo com ela, fazendo procedimentos em seu corpo.
Conseguiu ouvir apenas a voz de sua mãe aflita perguntando o que havia acontecido com ela para os médicos, e sentiu a mão de Bia apertando a sua mão por alguns segundos, falando: amiga, sou eu, estou com você, vai dar tudo certo.
Em seguida seu pai perguntou em voz alta e aflita: ei doutor, para onde estão levando Ana Clara? Para o centro cirúrgico, sua filha teve traumatismo craniano. Ana só enxergava vultos e mal ouvia as vozes de todos falando ao mesmo tempo e dos aparelhos apitando ao seu redor. Em poucos minutos a anestesia apagou de vez sua mente.
Quando acordou, com muita dor de cabeça e dor em todo o corpo, tentou falar agitada: ai que dor de cabeça! O que aconteceu? Onde estou?
Para Ana Clara a voz dela estava sendo transmitida, mas ela percebeu que não! A ação até acontecia: falar, mexer os braços e pernas, levantar a cabeça, mas na verdade, a sua mente dava os comandos, porém seu corpo não obedecia.
Com o passar dos dias Ana Clara entendeu que estava na UTI em estado de coma, esperando para ver se a cirurgia que fez em seu cérebro teve sucesso, para que ela voltasse a viver como antes, falando, andando, comendo, enfim fazendo de tudo.
Ela sabia que todos os dias Bia, Roger, seus pais, os pais de Bianca e Roger iam visitá-la. Conversavam com ela, mesmo sem ela responder-lhes. Bia sempre conversava muito com a amiga. Falava o quanto estava sentindo a falta dela, das conversas, das risadas, das brincadeiras e até das chatices dela.
Levava vídeos, filmes, músicas que Ana mais gostava no celular e colocava ela ouvir.
Roger levava para Ana os jogos favoritos dela e ficava jogando com ela como se ela estivesse ali competindo com ele, e se divertindo.
Seus pais e os pais de Bia e Roger levavam amor, massagens, conforto e muita esperança na recuperação dela.
Ana Clara sempre escutava os médicos explicando a seus pais que a sua recuperação total era incerta. Que precisavam ter calma e esperar o cérebro operado desinchar para tirá-la do coma, para então saber como seriam as reações do corpo dela, pois a lesão cerebral foi grande e grave.
O padre e os outros irmãos da igreja também iam visitá-la toda semana e levavam orações, pedidos de recuperação e esperança para ela.
Quando o horário de visitas na UTI terminava e ela ficava somente com os cuidados médicos e de enfermeiros, ela ficava com medo, triste e sentia mmmuuiitttaa saudade de todos.
Um dia na UTI, bem cedo, um grupo grande de médicos foram visitá-la e ficaram mais de uma hora no seu leito conversando sobre o estado dela. Decidiram começar os procedimentos para tirá-la do coma e para ver como o corpo dela reagiria.
Neste dia todos que foram vistá-la ficaram muito felizes e esperançosos. Ela também ficou ansiosa e “falava”: vai, podem começar esses procedimentos aí, eu vou sair correndo dessa cama e comer um Big Mac com Milk Shake de Chocolate na primeira esquina. Vocês vão ver que fome que estou!
Os pais de Ana Clara pediram para todos os amigos e familiares se reunirem na sala de espera da UTI no momento em que os médicos tirariam Ana do coma, para orarem em favor da recuperação e da saúde dela. E assim todos estava lá no dia e hora marcados, com muito amor por ela e esperança.
Todos iniciaram uma oração muito forte e com muito amor e esperança em ver de novo a Ana Clara que eles tanto amavam com saúde. E Ana Clara “falava”: gente estou aqui, obrigada pelas orações, já já pulo dessa cama e vou dar um abraço e um beijo em cada um!
Mas tudo isso era só em seu pensamento, pois o corpo não reagia. Os médicos já tinham tirado toda a medicação que fazia Ana estar em coma e nada dela nem abrir os olhos.
Então sua mãe, vendo aquela situação da filha, colocou os paramentos que exigem na UTI e entrou no quarto de Ana, segurou sua mão e falou: “Acorda filha, eu estou aqui, com muita saudade de você, de ouvir sua voz, mesmo que reclamando de tudo, de ver seus olhos lindos, de abraçar bem forte você, de passearmos juntas, fazer suas comidas preferidas e ver você comendo com a boca gostosa!” Olha filha todos estão aqui com muitas saudades também.
“Já fazem 6 meses que estamos muito aflitos, mas muito esperançosos de que você vai se recuperar e voltar a ser a nossa Ana Clara!”
Ana Clara ouvindo sua mãe já estava muito feliz e querendo muito que seu corpo obedecesse para poder abraçar ela bem forte e dar um beijão nela, mas algo muito forte e diferente aconteceu dentro dela quando sua mãe falou que já faziam 6 meses que Ana Clara estava na UTI. Para ela haviam se passado apenas dias! Ela ficou muito nervosa e como uma explosão no seu corpo, ela sentiu um onde de choque passar nela do primeiro fio de cabelo ao último dedinho do pé e imediatamente começou a pensar: “Todos me amam mesmo, todos gostam de mim, minha amiga querida Bia, meu melhor amigo Roger, meus pais, meus avós, os pais dos meus amigos, todos mesmo... pois estavam aqui do meu lado sempre, todos os dias, durante 6 meses e nunca perderam as esperanças em mim.
Ela sentiu de novo a onde choque passando por seu corpo, e desta vez foi no sentido dos pés à cabeça e quando o choque chegou na sua cabeça ela fez uma força enorme e abriu os olhos!
Todos gritaram de felicidade na sala de espera da UTI e a mãe de Ana Clara, deu um abraço muito apertado nela, encostando seu peito ao peito de Ana, de forma que Ana sentiu o coração da sua mãe batendo em seu próprio peito, como se os corações das duas fossem um só.
Quando Ana Clara sentiu o coração de sua mãe que transbordava de felicidade e amor pela filha, ela teve mais uma onda de choque que passou no seu corpo e ela conseguiu quase que em um grito falar: oi mamãe! Que saudade!
Nesse momento os médicos liberaram para que todos entrassem no quarto de Ana, para abraçá-la, e dividir a felicidade em vê-la salva, com ela. Bia abraçou tanto a amiga que ficou até sem fôlego, de tanta felicidade.
Sentiu tanto arrependimento por sua rebeldia, por ter destratado as pessoas que a amam e ter-se isolado a ponto de não perceber mais que ela nunca esteve sozinha, nem largada, nem sem amor, sem carinho, sem compreensão. Entendeu que ela própria se afastou de todos e não deixava mais que ninguém mais expusesse o amor por ela.
Começou a chorar, mas de felicidade e todos fizeram uma roda ao redor de sua cama e fizeram um gesto de um abraço e um beijo coletivo nela e seu corpo foi ficando pesado e ela adormeceu novamente.
Ana Clara foi melhorando ao longo dos dias, mas ainda tinha muita dificuldade de falar, comer, sentar, andar. Os médicos do Hospital indicaram que Ana Clara fosse para casa, explicaram que agora ela teria necessidades especiais e que fazer diversas terapias para melhorar aos poucos, até que pudesse voltar a fazer tudo o que antes fazia.
Os pais e avós de Ana arrumaram a casa e o quarto dela para ela ficar bem a vontade e para que conseguisse fazer todos os dias as terapias em casa.
Ana Clara se esforçava demais nas terapias, não reclamava de nada, pelo contrário, agradecia a Deus todas as noites, antes de dormir, por estar viva e ter a melhor família e os melhores amigos do mundo.
Quando Ana Clara, Bia e Roger iam se formar no Ensino Médio, Ana quis fazer uma surpresa para eles. Pediu à mãe para ir ao Shopping e escolher um vestido maravilhoso para ela. No dia da formatura fez uma make linda, vestiu o vestido e ela e sua família seguiram para a colação de grau e para o baile.
Na colação, Ana Clara estava lá, junto com Bia e Roger e com todos os alunos do 3º ano, sentada em sua cadeira de rodas, e muito feliz por estar vivendo aquele momento.
Os alunos começaram a ser chamados para ir à frente do palco buscar seus certificados de conclusão e quando o nome de Ana Clara foi chamado, Roger imediatamente levantou para ajudá-la. Ana Clara sorriu, pegou na mão do amigo, chamou a amiga Bianca, pegou na mão dela e num impulso só, levantou da cadeira de rodas. E saiu caminhando lentamente, segurando nas mãos de Roger e Bia até o palco.
Todos aplaudiram num único movimento e Roger, Bia e Ana Clara se abraçaram. Ana pegou seu certificado e ofereceu mais essa vitória em sua vida aos seus pais, avós e amigos.
Assim todos viveram felizes e lutando para se auto conhecerem e não permitirem mais que suas desvirtudes dominassem seus seres.
16ª Máscara - Triste▪ Sentir-se deprimido/fugitivo (não se aceita)
Esta é a uma das 29 Máscaras do Orgulho estudadas na Teoria da Razão, através do Método Surgir Sistêmico: uma navegação rumo ao auto conhecimento. Saiba mais acessando o nosso site www.teoriadarazao.com ou @macaradoorgulho no Instagran.




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