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Alejandro, o menino que dormia trabalhando



Alejandro cresceu numa fazenda de café no interior. Os proprietários eram muito ricos e pouco ficavam na fazenda. Mas eles não se preocupavam nenhum pouco com as condições em que viviam seus trabalhadores: numa miséria e desconforto, triste de se ver. Alejandro morava com sua mãe num casebre na fazenda Esperança e os dois precisavam trabalhar para ter o suficiente para pagar o aluguel e a alimentação oferecida por eles. Às vezes ainda não era suficiente e precisavam virar a noite trabalhando para completar o valor e, se no outro dia, o menino fosse pego dormindo, pois havia passado a noite acordado, ainda levava umas boas chibatadas.

Eram pessoas sem coração. Mas quando o patrão vinha visitar a fazenda, eles eram obrigados a banhar e vestir-se com roupas menos rasgadas para não darem má impressão para a senhora e sua filha, que gostavam de passear pelos cafezais. Era quando comiam melhor e eram menos destratados. O senhor Álvaro não se importava, mas a senhora Maria Pilar não podia vê-los maltratados.

Assim Alejandro foi criado, trabalhando muito: não pode ser criança! Sua melhor lembrança foi quando uma vez, a pequena Esperança passeando no cafezal, encontrou com Alejandro. As crianças não têm preconceitos, então ela pediu para que ele lhe mostrasse o restante da fazenda, em volta do cafezal mesmo. Quando terminaram o passeio, ela lhe ofereceu um lanche, que ele agradecido aceitou. Quando voltou ao trabalho teve que virar a noite para compensar as horas que esteve passeando. Mas a sensação boa do passeio e principalmente da merenda, não saíram de sua memória até agora.

Hoje encontraremos um Alejandro muito acomodado. Sua mãe morreu quando ele completou 18 anos e ele aproveitou para seguir outro rumo, procurar outros caminhos. Acostumado com muito pouco, não lhe foi difícil seguir num trem, comer o que lhe dessem e dormir aonde chegasse e se encostasse.

Ele viveu assim por um bom tempo, até que o trem parou na capital e ele resolveu descer e conhecer. Muitos edifícios elegantes e lojas que vendiam de tudo, muito diferente da fazenda e das pequenas cidades por onde havia passado.

Mas viver ali era um pouco diferente: as pessoas não davam comida ou permitiam que ele dormisse em qualquer lugar. Iam logo chamando de vagabundo e mandando-o trabalhar. Ele se esquivou como pode, mas acabou tendo que arrumar um emprego. Pensava: “- Não deveria ser assim, depois de uma vida tão difícil como eu tive, o que custa me darem um prato de comida? Isso é muito egoísmo! As pessoas, só por terem um pouco, já querem logo ir humilhando! Que absurdo!”

Alejandro teve que encarar um restaurante: lavador de louça. Quando dava, comia os restos dos pratos sem ser visto: “- Rico desperdiça demais. A comida quase que inteira deixa no prato” dizia ele. À noite, ao sair se encostava em qualquer beco para dormir e se lavava numa bica onde desse. Mas o aparente “não se importar” de Alejandro era apenas externo, porque internamente ele acusava a todos por “ter” que levar essa vida: o fazendeiro, as pessoas da cidade que não queriam ajudá-lo, o dono do restaurante, que exige demais dele: “- São pilhas de pratos! Ninguém tem dó de mim?”

O tempo passou e ele aos poucos foi se firmando no emprego e até conseguiu alugar um quartinho para viver, que era uma bagunça só, mas sem nunca esquecer de que levava essa vida, por culpa dos outros! A senhorinha que alugou o quarto para ele, procurava agradá-lo com pequenas coisas, como levar um pedaço de bolo e até lavar suas roupas, pois ela sabia que eram poucas. Mas ele ao invés de ser grato, pensava: “- Até que enfim alguém fez alguma coisa que presta para mim!” Mesmo vendo o trabalho pesado dela, nunca se importou! Vivia na contramão da vida e não se importava com nada.

Assim continuou vivendo Alejandro: nunca procurou um emprego melhor e nunca saiu daquele quarto. Vivia reclamando. Algumas noites se deitava cansado, pensando em como a vida era ingrata com ele e revivia seu passado, seu presente, sempre pensando no egoísmo das pessoas. Nesta noite em especial sonhou com sua mãe e ela lhe dizia:  “- Meu filho, que tipo de vida é essa que você leva? Está pior do que quando morávamos na fazenda e não tínhamos outra opção, senão trabalhar para comer e dormir! Você é livre hoje para fazer escolhas diferentes! Você é saudável! Saia dessa preguiça! Reaja! Viva! Se importe consigo mesmo primeiro e com os outros também. Veja essa senhora, não tem ninguém por ela, vive sozinha!.”

No outro dia, ao despertar e lembrar do sonho pensou: “- Reagir? Ela é que foi a culpada por não termos saído de lá antes e procurado outro lugar!” Passou o dia encucado com o sonho! E assim repetidas noites ele sonhava com ela lhe dizendo coisas que não pode dizer antes. Ele seguia o dia pensando, mas sem agir diferente.

Aos pouquinhos, ao chegar do trabalho, observava a senhorinha trabalhando, sempre com um sorriso. “- Já chegou meu filho? Como foi seu dia hoje?” Ele não respondia, só resmungava e saía para o seu quarto. Mas hoje ele parou e reparou no corpo frágil dela, porém firme, ou com a vassoura ou com a colher de pau na mão cozinhando, seu semblante era sempre o mesmo e ele respondeu: ”- Foi normal, e o da senhora?” Ela olhou para ele com um grande sorriso e respondeu: “- Foi bom, muito bom!” Olhando-o profundamente nos olhos! A partir desse dia Alejandro nunca mais deixou de cumprimentá-la, abrindo timidamente um sorriso. Aos poucos começou a pegar a vassoura da mão dela para varrer ou vigiar uma panela para ela fazer outra coisa. E ele sorria!

Chegava sempre com alguma coisa na mão para ajudá-la na comida e ela agradecia convidando-o para jantar com ela. Assim passaram-se os meses: Alejandro ficou o responsável em por a comida na mesa. Em seus dias de folga ele arrumava toda a casa e, claro, o seu quarto também. Passou a viver decentemente. A noite sentavam juntos após o jantar e cada um falava um pouco de si, de suas histórias distantes e sofridas. Ela rezava o terço, agradecendo sempre a Deus por tudo e ele a acompanhava. Ela encontrou um filho e ele uma mãe!

No restaurante ele começou a ser mais sociável, ainda que fechado: mas dava uma mãozinha aqui, outra ali e as pessoas passaram a respeitá-lo um pouquinho mais. Sua vida era de casa para o trabalho e do trabalho para casa, passando na venda antes para levar o jantar. Entrava em casa sorrindo e não deixava dona Elvira fazer mais nada depois disso. Fazia questão de fazer por ela, rindo e conversando, contando da correria do dia no restaurante.

Ao se deitar para dormir, Alejandro lembra dos sonhos com sua mãe, das atitudes que ele tomava antes e pensa: “ Mãe, pode ficar tranquila agora. Já aprendi o caminho da vida, do trabalho, o de se importar com os outros e ser uma pessoa melhor! Agradeço muito a Deus e a senhora, por ter me trazido para esse lugar, onde aprendi a bondade e encontrei outra mãe. Peço sua permissão para que eu seja um filho para ela e que eu possa estar junto nos momentos em que ela precise de dois braços para ampará-la e sustentá-la.”

Sua mãe apareceu em seu sonho respondendo:

“- Meu filho, meu ser se enche de alegria por você ter aceitado essa mensageira do amor em seu coração e poder ajudá-la. Que seus dias agora sejam de abundância e alegria, e que você possa ajudar a quem precise de você, ser grato à Deus, à vida e ser muito feliz! Sei que encontrará caminhos de luz e que te encherão de força e paz para cumprir com seus deveres dessa vida!”

E assim Alejandro encontrou seu caminho de amor pela vida!

 

 27ª MÁSCARA: PREGUIÇA

Essa é uma das 29 Máscaras do Orgulho encontradas na Teoria da Razão, que nos leva à uma jornada para dentro de nós mesmos e para nos tornarmos pessoas melhores e conscientes. Se quiser saber mais acesse o site wwwteoriadarazao.com

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