top of page

O CAPITÃO TINO

  


 Havia um homem, na época dos descobrimentos, que era responsável pelos escravos que remavam os navios de guerra. Esse homem alimentava-os e treinava-os fisicamente para terem um bom desempenho. Quando em viagem paravam em alguma praia para descanso, ele permitia que eles descessem e caminhassem um pouco, para que se sentissem revigorados.
Mas quando retornavam das guerras ou conquistas, era apenas o dono do navio que recebia as glórias. Ele nem era lembrado ou elogiado! Nem sequer pensavam em lhe dar algo a mais de valor para que ele sentisse que estavam agradecidos. Se sentia um nada!
Com o passar do tempo, isso foi deixando-o cada vez mais inquieto, tirando-lhe inclusive o prazer da conquista!
Um dia resolveu colocar tudo o que sentia aos seus superiores, dizendo-lhes que toda a glória que tinham era por causa dele, e que ele ao menos gostaria de ser reconhecido por isso! Mas todos acharam um absurdo! Que ele voltasse ao seu lugar, reconhecesse sua insubordinação e que se desse por feliz com o que recebia! Ele ficou muito decepcionado! Sentiu-se frustrado, abandonado!
Algum tempo depois já em sua rotina diária de exercícios com seus comandados, uma nova batalha surge e ele é enviado com seus escravos para a luta.   
Mas algo muito forte surge em seu coração, cobrando-lhe uma atitude. Aquela inquietação aumenta durante a viagem e ele passa então a tramar uma vingança. Alguma coisa que mudasse os acontecimentos!
Ao chegarem ao lugar combinado, ele empunhando uma bandeira branca, foi falar com o comandante inimigo, e expondo sua trajetória de um insatisfeito vencedor que gostaria de dar outro rumo à sua vida, propõe um acordo! Que sairiam eles ilesos como vencedores, dizendo que haviam derrotado e matado a todos. Receberiam então a gloria e os tesouros devidos! Assim sendo partiria ele com seus escravos para algum lugar bem distante e nunca mais ninguém saberia deles! A oferta era mais que satisfatória para os inimigos que sabiam da fama do conquistador capitão, que apertando-se as mãos, selaram o acordo vingador!
Partiram todos, cada um buscando o que mais desejavam: uns a glória e recompensas, outros a liberdade!
Viajaram muito, mas acabaram encontrando um lugar lindo e desabitado e, finalmente fundaram sua nação! Foram muito felizes, e cada vez que algum encontrava uma esposa e formava sua família, faziam uma grande festa! E da mesma forma, cada vez que nascia uma criança naquela nova civilização, era um grande motivo de festa!
Todos confiavam muito em Tino, que abriu mão de sua vida material para dar liberdade a eles, apesar de já ser algo muito desejado por ele também!
Assim passaram-se os anos para Tino: a alegria e gratidão estavam sempre à sua volta. Atendia a todos com conselhos e ideias, pois era grande estrategista! Mas não havia mais batalhas em suas vidas, só bonança e a certeza de ter feito o melhor para os seus homens e para todos aqueles descendentes que iluminavam e alegravam sua vida! Tantos netos e bisnetos o rodeavam, mas nenhum dele próprio!
Ele ocupou-se tanto de todos que não sobrou tempo para ele mesmo e os anos se passaram, não conquistando sua própria família! Terminou sua vida sem ter conhecido esse laço espiritual!
Muitas anos se passaram, mas Tino, ainda que feliz, ansiava por uma família sua também. Em ver-se rodeado de familiares que o ame, como viu por tantos anos todos aqueles homens rodeados por mulheres, filhos e netos. Via-os com muito orgulho e alegria, mas com uma pitadinha de ciúmes por não ter tido a oportunidade também dessa conquista!

Essa é uma história de resiliência e amor, pois ele colocou seus subordinados acima de suas próprias conquistas! E é assim que chegamos mais perto do Criador: doação, amor e compaixão. São elementos que a Teoria da Razão encontra, para nos mostrar como o caminho rumo ao autoconhecimento e a autocura é possível de ser trilhado, através do método Surgir Sistêmico. Se você quiser saber mais, acesse www.teoriadarazao.com

Comentários


bottom of page